Astronautas poderão viver em missões no espaço profundo

Astronautas

Crédito: Lockheed Martin

Um grande habitat em formato cilindro poderá um dia abrigar até quatro astronautas, enquanto eles viajam ao espaço profundo (uma definição atribuída ao universo físico além da atmosfera da Terra).

A Lockheed Martin mostra pela primeira vez um protótipo desses habitats que deve estar na quinta-feira no centro espacial Kennedy, onde a gigante aeroespacial está sob contrato com a NASA para construir um protótipo dos alojamentos.

A Lockheed é uma das seis empreiteiras, as outras são: Boeing, Space Systems da Sierra Nevada, Orbital ATK, NanoRacks e Bigelow Aerospace (que a NASA concedeu 65 milhões de doláres para construir um protótipo do habitat até o final deste ano). A agência, então, avaliará as propostas para chegar a uma melhor compreensão dos sistemas e interfaces que precisam ser implantados a fim de facilitar a vida no espaço profundo.

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MPLM Donatello, crédito: Lockheed Martin

O design da Lockheed usa o Módulo de Logística Multifuncional Donatello (MPLM – Multi-Purpose Logistics Module, em inglês), um módulo recondicionado que remonta à era do ônibus espacial que outrora foi destinado a transferir carga para a Estação Espacial Internacional (ISS). Mas Donatello nunca foi enviado ao espaço, e o módulo agora foi transformado no protótipo da Lockheed.

Com aproximadamente 4,5 metros de largura e quase 6,7 de comprimento, a cápsula cilíndrica é praticamente do tamanho de um micro-ônibus. Mas será um pouco apertada se quatro astronautas residirem nela por 30 a 60 dias, em Bethesda, Maryland (Md.), prevê a Lockheed.

A cápsula foi projetada para abrigar racks para uso científicos, sistemas de suporte à vida, estações de sono, máquinas de exercícios e estações de trabalho robotizadas, disse Bill Pratt, gerente do programa.

“Veja isso como um trailer no espaço”, disse ele durante uma turnê do protótipo. “Quando você está em um trailer, sua mesa se torna sua cama e as coisas estão em constante movimento, então você tem que ser realmente eficiente com o espaço. Isso é uma das muitas coisas que estamos testando aqui.”

A equipe usou headsets de realidade aumentada, que sobrepõem hardware real com simulações para visualizar o layout da cápsula, economizando tempo e ajudando a Lockheed a detectar erros logo no início.

Outra medida de redução de custos: a reutilização de Donatello.

“Queremos chegar à Lua e a Marte o mais rápido possível, e achamos que realmente temos muitas coisas que podemos usar para fazer isso”, afirma Pratt, acrescentando que os materiais de reaproveitamento se tornaram uma grande temática na Lockheed.

O habitat faz parte da missão maior de levar tripulações à lua e a Marte. A versão final da cápsula será anexada ao Deep Space Gateway, um porto espacial planejado que orbitará a lua e funcionará como um ponto de partida às missões de exploração do espaço profundo.

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Protótipo da espaçonave Orion, crédito: NASA

Os astronautas se lançariam no espaço profundo transportados pela nave espacial Orion, com a ajuda do Sistema de Lançamento Espacial (SLS, siglas em inglês), que a NASA classifica como o “foguete mais poderoso” já construído. O Gateway seria consideravelmente menor que a Estação Espacial Internacional (ISS) de 450 toneladas. Com 75 toneladas, o espaçoporto incluiria o habitat, uma câmara de compressão, um módulo de propulsão, uma porta de ancoragem e um barramento de força.

A construção da nave Orion está a todo vapor, e esta deverá realizar uma missão sem tripulação (Missão de Exploração 1) para orbitar a Lua até 2020. A Missão de Exploração 2 está programada para levar uma tripulação à órbita lunar em meados de 2022.

No Kennedy Space Center, os escudos térmicos já foram instalados na Orion. A espaçonave está em desenvolvimento desde 2004.

O longo tempo de desenvolvimento se deve em grande parte aos requisitos que uma espaçonave deve ter ao viajar no espaço profundo e às condições extremas que ela enfrentará ao fazer a viagem de mil dias a Marte. Assim, a NASA exige que o módulo de tripulação Orion não tenha defeitos de solda, ao passo que as especificações da missão da Apollo tiveram um número permitido de defeitos por polegada.

“Esta é a infra-estrutura para sustentar a exploração espacial humana e, por isso tem que ser capaz de resolver todos os cenários que possam surgir, o que implica requisitos muito rigorosos “, explica Lisa Callahan, vice-presidente e diretora geral da divisão do espaço civil comercial da Lockheed Martin.

A Lockheed agora está de olho na meta. No próximo mês, a Agência Espacial Européia (ESA) entregará o módulo de serviço europeu que ficará sob o módulo da tripulação, iniciando o desenvolvimento final antes que a espaçonave seja integrada ao Sistema de Lançamento Espacial, explica Mike Hawes, vice-presidente e gerente de programa da Orion na Lockheed Martin.

“Certamente, já temos ciência dos 404 dias de atividades…. antes de passarmos para a equipe do centro Kennedy (operações)”, conclui Hawes.

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Fonte do Artigo: https://phys.org/news/2018-08-lockheed-martin-astronauts-missions-deep.html

Autor Nelson V. Soares

 

Nelson V. Soares

Autor e Instrutor Render, Desenvolvedor de Cursos Online em Aplicações de Eletrônica, Office e Programação.

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